segunda-feira, janeiro 22, 2018

Jogos de tabuleiro sobre Paleontologia


Os jogos de tabuleiros e cartas estão a ganhar grande popularidade. Há para todos os gostos, dificuldades, estratégias e temas. Obviamente o tema da paleontologia, dinossauros e evolução não escapa a esta tendência.

Na área da Paleontologia, Dinossauros e Evolução existem alguns jogos interessante nomeadamente na categoria de Gestão de Mão (Hand Management) em que são jogos com cartões que recompensam os jogadores por jogar cartas em certas sequências ou grupos. A sequência / agrupamento ideal pode variar, dependendo da posição da placa, dos cartões mantidos e dos cartões jogados pelos adversários. Gerindo as suas mão significa obter o máximo valor de cartões disponíveis em determinadas circunstâncias. Os cartões muitas vezes têm múltiplos usos no jogo, ofuscando ainda mais uma sequência "óptima".

Alguns dos jogos de tabuleiros e cartas sobre paleontologia

Segundo a Wikipédia, as principais categorias dos jogos e tabuleiro são: jogos de estratégia abstractos, jogo de alinhamento, jogos de leilão, Variantes do xadrez, jogos de configuração, Jogos de conexão, jogos cooperativos, jogos de conta e captura, jogos de cruz e círculo, jogos de dedução, jogo de destreza, Jogos de simulação de economia, jogos educacionais, jogos de eliminação, jogos de fantasia, jogos de adivinhação, e jogos de regra oculta.

Deixamos aqui alguns exemplos de jogos dedicados a paleontologia, dinossauro e evolução:

BONE WARS: The Game of Ruthless Paleontology (2005)
The Great Dinosaur Rush (2016)
Dominant Species (2010), tabuleiro com peças
Dominant Species: The Card Game (2012)
Evolution: The Origin of Species (2010)
Terra Evolution (2011). Este tem o mais alto “overall ranking” 13,260 no site da especialidade boardgamegeek.com.
Evo (2011)
Dinosaur Island (2017)
DinoGenics (2018)
Evolution (2014)
Go Extinct! (2014)
Trias (2002)
Bios Megafauna (2nd edition) (2017) Este é o que tem melhores ratings médios (8.4) no site especializado.
Primordial Soup (1997)
A.D.A.P.T. (2016)
Raptor (2015)

Resumindo, o mundo dos jogos está pujante e abrange também a paleontologia e os dinossauros, por vezes usado mesmo para fins académicos. Obrigado ao Miguel Moreno Azanza e ao Marco Marzola pelas sugestões.



quinta-feira, janeiro 11, 2018

Nova espécie de peixe jurássico de Portugal

Guimarotaichthys problematicus é o novo género e espécie de peixe fóssil do jurássico de Portugal, nomeadamente do Kimmeridgiano da Mina da Guimarota. Apesar de ser reconhecer que se trata de uma nova espécie de peixe Osteichthyes não-teleósteo, a sua posição filogenética não é bem conhecida, o que justifica o nome problematicus.

Otólitos de Guimarotaichthys problematicus (Schwarzhans, 2018). 

Esta nova espécie é baseada em otólitos que são pequenas concreções de carbonato de cálcio presentes dentro de câmaras no aparelho vestibular do ouvido interno dos peixes e que têm a função de controlar a posição do corpo do animal, ou seja, manter o equilíbrio postural.

Relação filogenética do peixes ósseos e comparação dos seus otólitos (Schwarzhans, 2018)

O artigo é publicado por Werner Schwarzhans de Hamburgo com a afiliação institucional ligada ao Museu de História Natural da Dinamarca. O holótipo, espécime de referência, é SMF PO.91821 presente em Senckenberg Museum (Frankfurt am Main, Alemanha) e desconhecemos quando está previsto o seu retorno a Portugal.

Artigo:
Schwarzhans, W., 2018. A review of Jurassic and Early Cretaceous otoliths and the development of early morphological diversity in otoliths. Neues Jahrbuch für Geologie und Paläontologie-Abhandlungen, 287(1), pp.75-121.http://www.ingentaconnect.com/content/schweiz/njbgeol/2018/00000287/00000001/art00005

terça-feira, janeiro 09, 2018

Paleontólogo João Russo

O primeiro autor de um dos artigos do ano de 2017 é João Russo.

João Paulo Vasconcelos Mendes Russo, nasceu em Lisboa em 2 de Fevereiro de 1986. Fez a licenciatura em Geologia na Universidade de Lisboa (2010) e Mestrado em Paleontologia na Universidade Nova de Lisboa em associação com a Universidade de Évora com a tese dedicada a “Eggs and eggshells of Crocodylomorpha of the Late Jurassic of Portugal”, defendida com 19 valores.
João Russo. Foto por O.Mateus
Desde 2010 que é voluntário no Museu da Lourinhã desde a preparação laboratorial a montagem de exposições. Ao mesmo tempo, desenvolveu trabalhos de digitalização 3D, que culminou com trabalho em espécimes do Sauriermuseum Aathal em Fevereiro de 2012 e a presença na conferência Digital Fossil em Setembro do mesmo ano realizada em Berlim, como co-autor de uma comunicação. Participou no congresso Strati como voluntário do pessoal de apoio e como bolseiro no Projecto DinoEggs. Participou em escavações e expedições no Wyoming, Marrocos, Algarve e Lourinhã.

Actualmente está a começar o doutoramento na Universidade Nova de Lisboa com o título “Evolution of nodosaurid dinosaurs and description of a new skeleton from the Late Jurassic of Portugal” sob a orientação de Octávio Mateus.
Segundo o Google Scholar João Russo tem 41 citações e um índice h de 3. Ele tem sido alvo de algumas notícias no blog Lusodinos e pode também seguir no Research Gate.

Publicações:
Marzola, M., J Russo, O Mateus (2015) Identification and comparison of modern and fossil crocodilian eggs and eggshell structures. Historical Biology 27 (1), 115-133.
Russo, J. O Mateus, M Marzola, A Balbino (2014). Crocodylomorph eggs and eggshells from the Lourinhã Fm. (Upper Jurassic), Portugal. Comunicações Geológicas 101 (Especial I), 563-566
Tschopp, E., J Russo, G Dzemski (2013). Retrodeformation as a test for the validity of phylogenetic characters: an example from diplodocid sauropod vertebrae. Palaeontologia Electronica 1998, 16 1 2013
Santos, OF dos, J Russo, M Mendes, N Pimentel, RP dos Reis. (2010). Modeling of Cretaceous uplift and erosion events in the Lusitanian Basin (Portugal). CM 2010-Abstracts 3

Palinologia e ovos fósseis empatam no Artigo do Ano 2017 da Paleontologia portuguesa

O blog Lusodinos elege, a partir deste ano, os Artigos do Ano da Paleontologia Portuguesa que se destacam pela sua qualidade, importância ou excelência, sobre um fóssil português ou com autoria de um paleontólogo português ou de uma instituição portuguesa.
Este anos foram 17 artigos escolhidos pelo júri mas houve empate nos mais votados para o título de artigo do ano 2017 da Paleontologia portuguesa. Os dois artigos empatados foram:

The palynology of the lower and middle Toarcian (Lower Jurassic) in the northern Lusitanian Basin, western Portugal
por
Vânia F. Correia, James B. Riding, Paulo Fernandes, Luís V. Duarte e Zélia Pereira

Publicado na revista  "Review of Palaeobotany and Palynology"


Two new ootaxa from the late Jurassic: The oldest record of crocodylomorph eggs, from the Lourinhã Formation, Portugal
por
João Russo, Octávio Mateus, Marco Marzola, e Ausenda Balbino
Publicado na revista "PLOS ONE"

Ambos os artigos já tinha sido alvo de notícias Lusodinos: Correia et al. Palynology e Russo et al. PlosOne.





A lista de todos os artigos selecionados é a seguinte:

1º Lugar (2 artigos ex aequo)
2º Lugar (3 artigos ex aequo)
Restantes artigos seleccionados:

Moreno-Amat, E., Rubiales, J.M., Morales-Molino, C. and García-Amorena, I., 2017. Incorporating plant fossil data into species distribution models is not straightforward: Pitfalls and possible solutions. Quaternary science reviews, 170, pp.56-68.

Salgado, L., Canudo, J.I., Garrido, A.C., Moreno-Azanza, M., Martínez, L.C., Coria, R.A. and Gasca, J.M., 2017. A new primitive Neornithischian dinosaur from the Jurassic of Patagonia with gut contents. Scientific Reports, 7.

Gowland, S., Taylor, A.M. and Martinius, A.W., Integrated sedimentology and ichnology of Late Jurassic fluvial point bars–facies architecture and colonisation styles (Lourinhã Formation, Lusitanian Basin, western Portugal). Sedimentology.

Gasca, J.M., Moreno-Azanza, M., Bádenas, B., Díaz-Martínez, I., Castanera, D., Canudo, J.I. and Aurell, M., 2017. Integrated overview of the vertebrate fossil record of the Ladruñán anticline (Spain): Evidence of a Barremian alluvial-lacustrine system in NE Iberia frequented by dinosaurs. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, 472, pp.192-202.

Mateus, O., Marzola, M., Schulp, A. S., Jacobs, L. L., Polcyn, M. J., Pervov, V., Gonçalves, A. O. and Morais, M. L. 2017. Angolan ichnosite in a diamond mine shows the presence of a large terrestrial mammaliamorph, a crocodylomorph, and sauropod dinosaurs in the Early Cretaceous of Africa. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology 471 (Supplement C): 220–232.

Colmenar, J., Pereira, S., Sá, A.A., da Silva, C.M. and Young, T.P., 2017. The highest-latitude Foliomena Fauna (Upper Ordovician, Portugal) and its palaeogeographical and palaeoecological significance. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, 485, pp.774-783.

Malafaia, E., Escaso, F., Mocho, P., Serrano-Martínez, A., Torices, A., Cachão, M. and Ortega, F. 2017. Analysis of diversity, stratigraphic and geographical distribution of isolated theropod teeth from the Upper Jurassic of the Lusitanian Basin, Portugal. Journal of Iberian Geology 43 (2): 257–291.

Pérez-García, A., Brandão, J.M., Callapez, P.M., Machado, L., Malafaia, E., Ortega, F. and Santos, V.F., 2017. The oldest turtle from Portugal corresponding to the only pre-Kimmeridgian plesiochelyid (basal Eucryptodira) recognized at the generic level. Historical Biology, pp.1-9.

Miguez‐Salas, O., Rodríguez‐Tovar, F.J. and Duarte, L.V., 2017. Selective incidence of the toarcian oceanic anoxic event on macroinvertebrate marine communities: a case from the Lusitanian basin, Portugal. Lethaia.

Else Marie Friis, Mário Miguel Mendes & Kaj Raunsgaard Pedersen, 2017, Paisia, an Early Cretaceous eudicot angiosperm flower with pantoporate pollen from Portugal. Grana, ISSN: 0017-3134 (Print) 1651-2049

Mendes, M.M., Barrón, E., Batten, D.J. and Pais, J., 2017. A new species of the spore genus Costatoperforosporites from Early Cretaceous deposits in Portugal and its taxonomic and palaeoenvironmental significance. Grana, pp.1-9.

Correia, V.F., Riding, J.B., Duarte, L.V., Fernandes, P. and Pereira, Z., 2017. The palynological response to the Toarcian Oceanic Anoxic Event (Early Jurassic) at Peniche, Lusitanian Basin, western Portugal. Marine Micropaleontology, 137, pp.46-63.













Paleontóloga Vânia Correia

A primeira autora de um dos artigo do ano de 2017 é Vânia Correia sendo acompanhada no artigo por James B.Riding, Paulo Fernandes, Luís V. Duarte e Zélia Pereira.



Vânia Dinora Pereira Fraguito Correia, nascida a 12 de Julho de 1983 em Vila Real, é licenciada em Biologia e mestre em Recursos Geológicos pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) após estudar na Escola Secundária Camilo Castelo Branco em Vila Real. Trabalhou na Associação Geoparque Arouca e Universidade de Pisa. Actualmente é aluna de Doutoramento (3º Ciclo em Ciências do Mar, da Terra e do Ambiente) na Universidade do Algarve, com a bolsa FCT SFRH/BD/93950/2013, desenvolvendo o tema: "Jurassic dinoflagellate cyst biostratigraphy of the Lusitanian Basin, west-central Portugal, and its relevance to the opening of the North Atlantic and petroleum geology".
O seu orientador principal é Prof. Paulo Fernandes (Universidade do Algarve) e os Co-orientadores são Zélia Pereira (LNEG, Laboratório de Palinologia) e James Riding (British Geological Survey).
A Vânia faz a sua investigação no CIMA – Centro de Investigação Marinha e Ambiental, da Universidade do Algarve e no LNEG, S. Mamede de Infesta.

A Vânia e os demais investigadores já mencionados são autores de dois artigos publicados este ano, ambos nomeados para Artigo do Ano.

Correia, V.F., Riding, J.B., Fernandes, P., Duarte, L.V. and Pereira, Z., 2017. The palynology of the lower and middle Toarcian (Lower Jurassic) in the northern Lusitanian Basin, western Portugal. Review of Palaeobotany and Palynology, 237, pp.75-95.

Correia, V.F., Riding, J.B., Duarte, L.V., Fernandes, P. and Pereira, Z., 2017. The palynological response to the Toarcian Oceanic Anoxic Event (Early Jurassic) at Peniche, Lusitanian Basin, western Portugal. Marine Micropaleontology, 137, pp.46-63.

Podemos ainda adiantar que a dissertação de doutoramento está prestes a ser entregue para avaliação e desde já felicitamos a Vânia e os restantes autores.


OM20180108

segunda-feira, janeiro 08, 2018

Artigo do Ano da Paleontologia Portuguesa

O blog Lusodinos decidiu eleger, a partir deste ano, os artigos da paleontologia portuguesa que mais se destacaram. O objectivo é seleccionar os artigos de cada ano que se destacam pela sua qualidade, importância, visibilidade, e/ou excelência, sobre um fóssil português ou com autoria de um paleontólogo português ou de uma instituição portuguesa.

Pedimos a oito paleontólogos doutorados, quatro portugueses e outros quatro estrangeiros mas com alguma ligação a Portugal, que indicassem os três artigos que se destacaram em 2017. O resultado foi uma lista de artigos escolhidos por este júri. Destes, o(s) mais votado(s) para o título de artigo do ano 2017 da Paleontologia portuguesa serão anunciado amanhã.



Regulamento "Artigo do Ano da Paleontologia Portuguesa"

  1. Objectivo: seleccionar os artigos de cada ano sobre um fóssil português ou com autoria de um paleontólogo português ou de uma instituição portuguesa, que se destacam pela sua qualidade, importância, visibilidade, e/ou excelência.
  2. Cada jurado selecciona os 3 melhores artigos com o critério do ponto 1. Os jurados não podem votar artigos da sua (co)autoria, mas podem votar em artigos de outros membros do júri.
  3. O júri é composto por: Bruno Pereira, Christophe Hendrickx, Eduardo Puértolas, Emanuel Tschopp, Lígia Castro, Miguel Moreno Azanza, Octávio Mateus e Rogério Rocha
  4. O resultado são os artigos mais votados, podendo haver empates. O resultado é anunciado no blog Lusodinos.
  5. Tendencialmente, um dos autores do artigo mais votado de cada ano, será convidado a integrar o júri do ano seguinte.
  6. Não existe prémio pecuniário.

DinoParque Lourinhã pronto para abrir em Fevereiro

O DinoParque Lourinhã é o maior empreendimento turístico com foco na paleontologia em Portugal e um dos maiores da Europa.  Está previsto abrir portas a 9 de Fevereiro de 2018.


Modelo de Lourinhanosaurus antunesi no DinoParque Lourinhã.

Como nasce o projecto de criar um novo museu e parque de dinossauros da Lourinhã?
A vontade de capitalizar a atenção e importância trazida pelos achados de dinossauros, a falta de espaço no Museu da Lourinhã levou às primeiras propostas pela equipa do Museu da Lourinhã em 1997 de um novo museu, na altura com o título “Parque do Saber e do Lazer”. A falta de financiamento dificultou sempre a concretização desse sonho que era partilhado pelo Museu da Lourinhã e pela Câmara Municipal. A ideia e o conceito evoluíram para o Museu do Jurássico, com uma arquitectura arrojada na periferia da Vila da Lourinhã e uma forte vertente museológica e científica de cariz mais público e depois para o Mundo Jurássico, com uma vertente em que misturava o aspecto lúdico e museológico. A falta de financiamento acabou por impedir a concretização.
Em 2011 começam conversações com parceiros alemães que fazem a gestão do DinoPark Münchehagen. Pondera-se uma localização mais periférica e uma participação mais empresarial, com os fósseis originais de dinossauros que continuam como parte integrante do acervo do Museu da Lourinhã. O conceito evolui até ao que é hoje o Parque dos Dinossauros da Lourinhã, inaugurado em Fevereiro de 2018.



terça-feira, janeiro 02, 2018

Revista "Ciências da Terra" renovada

Saiu o novo volume da revista "Ciências da Terra", o número 19, que vem com "cara lavada", novo estilo, nova página de internet e agora com o nome "Ciências da Terra – Earth Sciences Journal", completamente de acesso livre online e gratuito para os leitores e autores.

A revista científica "Ciências da Terra"  celebrou 40 anos de existência em 2016. O primeiro número, intitulado Dinossáurios Eocretácicos dos Lagosteiros, foi escrito pelo fundador da revista, Prof. Dr. Miguel Telles Antunes. Durante 40 anos publicou artigos sobretudo nas áreas de Estratigrafia e Paleontologia. Este volume teve o corpo editorial composto por José Carlos Kullberg, Rogério Rocha e João Pais.



Além de obituários, os novos artigos são:

  1. Stratigraphy, sedimentary patterns, and reservoir characteristics of Jurassic carbonate successions in the Lusitanian Basin.  A. C. Azerêdo, L. V. Duarte
  2. The Lower Jurassic at Peniche (Lusitanian Basin): recent advances in Stratigraphy and Sedimentary Geology. Por L. V. Duarte, E. Mattioli, R. B. Rocha, R. L. Silva
  3. The Lourinhã Formation: the Upper Jurassic to lower most Cretaceous of the Lusitanian Basin, Portugal – landscapes where dinosaurs walked. Por O. Mateus, J. Dinis, P. P. Cunha
  4. Stratigraphy and sequence correlations in the Lower Cretaceous around Lisbon. Por J. Rey, P. S. Caetano
  5. The tectono-stratigraphic evolution of an Atlantic-type basin: an example from the Arrábida sector of the Lusitanian Basin. Por J. C. Kullberg, M. C. Kullberg











Exposição temporária "Ibéria, onde nascem dinossauros"

Terminou esta semana a exposição temporária "Ibéria, onde nascem dinossauros" no Museu da Lourinhã. Esta mostra, que esteve patente deste 24 de Junho de 2017 até final de 2017, focava-se nos ovos e embriões de dinossauros e crocodilomorfos em Portugal e Espanha, destacando a unicidade do registo oológico.
Toda a exposição girava em torno de três conceitos principais, que definem os espaços e o discurso:
Os excepcionais embriões jurássicos de Portugal
A rica diversidade do Cretáceo Inferior da Espanha
As abundantes posturas do Cretácico Superior da Catalunha

A exposição coincidiu com a semana de actividades "Dinossauros saem à rua" e com o simpósio de ovos e bebés de dinossauros em Outubro.

A exposição estava localizada na planta superior do Paleontologia do Museu da Lourinhã.
O curador foi Miguel Moreno-Azanza com a participação científica de Àngel Galobart, Albert Sellés, Bernat Vila, Ester Díaz Berenguer e Octávio Mateus. Textos e museologia de Moreno-Azanza, Alexandre Audigane, Ana Luz, Bruno Pereira e João Muchagata.

Aqui fica uma curta reportagem fotográfica da exposição:







segunda-feira, janeiro 01, 2018

2018 vai ser ano de congressos de paleontologia em Portugal


Ainda não sabemos que descobertas científicas nos esperam para 2018. Nem que novos fósseis e novos conceitos paleontológicos serão revelados em 2018. Mas sabemos desde já que será um ano bem preenchido de congressos paleontológicos em Portugal, com três bons exemplos:

European Association of Vertebrate Paleontology Annual Meeting
Faculdade de Ciências e Tecnologia - Universidade Nova de Lisboa, Portugal. 26 de Junho a 1 de Julho.



II Congresso Internacional “As Aves: evolução, paleontologia, arqueozoologia, artes e ambientes
Biblioteca Nacional, Lisboa, Portugal. 29 de Maio a 1 de Junho



XXXIV Jornadas de Paleontologia da Sociedad Española de Paleontología & V Congresso Ibérico de Paleontologia
Vila Real, 26 a 29 de setembro.


Destacamos ainda:
27th Colloquium of African Geology (27 CAG), Universidade de Aveiro  21 a 28 Julho 2018

 X Congresso Nacional de Geologia, Açores, 7 a 16 de Julho de 2018

sábado, dezembro 30, 2017

Arte de rua paleontológica

Cada vez mais há uma influencia da paleontologia na arte, e também na Arte de Rua. Desta vez mostramos exemplos na Caparica a cerca de 2 km a oeste do Campus da FCT da Universidade Nova de Lisboa.

Arte de rua, na Caparica, com um Dunkleostes e um Livyatan.
As imagens mostram: um placoderme Dunkleosteus com pinças de sapateira e uma longa cauda, um esqueleto de cachalote Livyatan, um crânio de foca, e um crânio de mosassauro, numa arte assinada por "Kids don't Float" com a data de 2017.


Arte de rua, na Caparica, com um crânio de foca e um crânio de mosassauro.

Como comparação, deixamos aqui algumas imagens que devem ter inspirado este artista anónimo.

Dunkleosteus,  por Dmitry Bogdanov
Livyatan. Fonte: reddit.com
Foca, fonte: skullsite.co.uk
Mosasaurus hoffmani por Lingham-Soliar 1995.


Nova espécie de planta no Carbonífero de Portugal

Nova jazida em Ermesinde dá fósseis de uma nova espécie de feto, num artigo assinado por Pedro Correia, Zbynĕk Šimůnek, Artur A. Sá e Deolinda Flores.

Segundo o artigo que saiu no Geological Journal, a Bacia do Douro é uma das bacias sedimentares continentais mais ricas em florestas fósseis de idade carbonífera em Portugal. A nova localidade de Montes da Costa (Ermesinde) fornece um excelente registo fóssil de macroflora bem conservada e muito diversificada sobretudo de fetos, dos quais é descrita a nova espécie Acitheca murphyi  do Carbonífero.



Reconstituição artística de Acitheca murphyi do Carbonífero de Ermesinde (Correia et al., 2017). 

Acitheca murphyi do Carbonífero de Ermesinde (Correia et al., 2017).



Referência:

Correia P, Šimůnek Z, Sá AA, Flores D. A new Late Pennsylvanian floral assemblage from the Douro Basin, Portugal. Geological Journal. 2017;1–25. https://doi.org/10.1002/gj.3086
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/gj.3086/full

terça-feira, dezembro 26, 2017

Há 300 anos nasceu João de Loureiro, o primeiro paleontólogo Português

Há 300 anos nasceu João de Loureiro (1717, Lisboa - 18 de outubro de 1791) foi missionário e botânico jesuíta português e o primeiro paleontólogo Português.

Fundo esquerda: uma das plantas recolhidas por João de Loureiro;
Direita: Frontispício da obra Flora Cochinchinensis.
Topo  esquerda: Antigo Colégio de Sto. Antão onde João de Loureiro estudou.
Depois de receber a entrada na Ordem dos Jesuítas, João de Loureiro serviu como missionário em Goa, capital da Índia portuguesa (3 anos) e Macau (4 anos). Em 1742 ele viajou para Cochinchina (actual Vietname e Laos), permanecendo lá por 35 anos. Aqui trabalhou como matemático e naturalista, adquirindo conhecimento sobre as propriedades e os usos das plantas medicinais nativas. Em 1777, viajou para Cantão, voltando a Lisboa quatro anos depois. Em 1790, ele publicou um trabalho sobre a flora da Cochinchina intitulado Flora Cochinchinensis.

João de Loureiro tem numerosas espécies "loureiroi" dedicadas a ele, principalmente plantas, mas também um dinossauro, Draconyx loureiroi, porque também foi o primeiro paleontólogo português ao escrever um artigo sobre caranguejos fósseis no artigo "Memoria sobre huma espécie de petrificaçaõ animal" publicado na Academia de Ciências de Lisboa em 1799.

Na Cochinchina, João de Loureiro era sobretudo missionário que usou a farmacopeia local para aprender sobre botânica e medicina. Entre os muitos espécimes que Loureiro deve ter se reunido com as contribuições locais, havia alguns caranguejos fósseis do rio Soung Muòi Ko (província de Gua'ng binh na Cochinchina), que os locais consideravam terapêuticos como absorventes para a febre, a disenteria, diarréia, tenesmo e útil externamente para inflamações e abscessos. Na época, os fósseis eram uma curiosidade misteriosa ou mal explicada. A maioria dos fósseis foi interpretada como animais ante-diluviários, como alusão ao episódio bíblico mítico. Os caranguejos fósseis chamaram a atenção de João de Loureiro, mas este foi crítico sobre explicações míticas sobre animais "petrificados" relatados por poetas, como é mostrado por suas palavras: "é necessário um pensamento cuidadoso e crítico antes de dar crédito a esses relatórios".
Caranguejos fósseis estudados por João de Loureiro na obra de 1799 (Memoria sobre huma espécie de petrificaçaõ animal).
Em sua nota póstuma publicada em 1799 pelo título "Memoria sobre huma espécie de petrificaçaõ animal" da Real Academia de Ciências de Lisboa (Fig. 4 e 5), Loureiro não só reconhece e identifica como caranguejos, mas também entende o papel dos sedimentos e o tempo na formação fóssil. Loureiro refuta a hipótese de uma catástrofe de dilúvio ou uma "água petrificante", entendendo que o processo de fossilização é a associação das propriedades da lama e a longa passagem do tempo. Ele escreve "uma violência, que tira uma vida, e transforma em pedra aquelles viventes, está no lodo" (p. 51) e "a que os vapores d'aquelle-site petrificante tiráraõ a vida, ficando logo cubertos, ou estendidos no lodo, perdem naturalmente com o tempo como partes mais subtís, e volateis" (. 52). Essa nota de dez páginas representa o primeiro artigo científico paleontológico em Portugal (Antunes, 1986) e o primeiro sobre um fóssil do sudeste asiático, tanto quanto sabemos. João de Loureiro é, portanto, considerado o primeiro paleontólogo português, que lhe concedeu a nomeação de uma espécie de dinossauro, Draconyx loureiroi, em 2001 (Mateus e Antunes, 2001).
Os caranguejos fósseis, provavelmente o mesmo que Loureiro se recuperou da Ásia foram encontrados mais tarde na Academia de Ciências de Lisboa (Antunes, 1986; 2000).



Viagem de João de Loureiro entre 1735 e 1782.







quarta-feira, dezembro 20, 2017

Boas festas

Aqui vai o cartão de natal deste ano com votos do blog Lusodinos.




quarta-feira, dezembro 06, 2017

Pegadas da Gronelândia mostram os mais antigos vestígios de saurópodes

A Formação de Fleming Fjord do Triásico Superior do centro-leste da Gronelândia preserva uma fauna fóssil diversificada, incluindo ossos e pegadas. Os trilhos de grandes arcossauros quadrúpedes da região, embora já tenham sido relatados em 1994 e mencionados em publicações subsequentes, são descritos e detalhados com base em dados fotogramétricos recolhidos durante o trabalho de campo da expedição dinamarquesa-alemã-portuguesa em 2012 e publicados agora pela primeira vez na Acta Paleontologica Polonica no artigo que tem Jans Lallensack como primeiro autor.
Dois trilhos podem ser identificados como do icnogénero Eosauropus, enquanto um terceiro pode ser de Evazoum, ambos considerados como representando trilhos de dinossauros sauropodomorfos. Tanto os trilhos de Evazoum como as de Eosauropus são claramente maiores do que era previamente conhecido.
Trilho de saurópodes do Triásico da Gronelândia (Lallensack et al, 2017)
A postura quadrúpede e a estrutura da pegada  de cinco dedos, semi-digitígrado, com ungueais que se projectam lateralmente indicam que se trata de um sauropodomorfo derivado, mais concretamente um saurópode. Embora a evidência inequívoca de ossos de dinossauros  saurópodes seja do Jurásico inferior, estes trilhos da Gronelândia apontam para uma origem triásica do grupo. Esta é a evidência dos mais antigos saurópodes conhecidos.


Trilho de saurópodes do Triásico da Gronelândia (Lallensack et al, 2017)


Lallensack, JN, Klein H, Milàn J, Wings O, Mateus O, Clemmensen LB.  2017.  Sauropodomorph dinosaur trackways from the Fleming Fjord Formation of East Greenland: Evidence for Late Triassic sauropods. Acta Palaeontologica Polonica. 62(4):833-843.  PDF

segunda-feira, novembro 27, 2017

Paleontólogo Josef Felix Pompeckj (1867-1930)


Pompeckj.jpg
Josef Felix Pompeckj
Fez em Maio passado 150 anos de aniversário de nascimento do paleontólogo Josef Felix Pompeckj que trabalhou em Portugal e aproveitamos para compilar uma curta biografia.

Josef Felix Pompeckj (10 de maio de 1867 Groß-Köllen, agora Kolno na Polónia † 08 de julho de 1930, Berlim) foi um paleontólogo e geólogo alemão. Estudou geologia e paleontologia na Universidade de Königsberg e recebeu seu doutoramento em 1890 com a tese Die Trilobitenfauna der ost- und westpreußischen Diluvialgeschiebe.  Em Portugal estudou amonites do Jurássico Inferior através de Paul Choffat e Johannes Böhm que estudavam as Camadas de Pereiros com as primeiras publicações em 1897. Trabalhou em Tübingen, Munique e Hohenheim. Em 1903 foi designado professor em Munique e, a partir de 1904, ensinou aulas de geologia e mineralogia na faculdade agrícola de Hohenheim.  Em 1907, mudou-se para a Universidade de Göttingen, onde acabou se tornando professor titular de geologia e paleontologia. A partir de 1913 trabalhou como professor em Tübingen, em 1917 mudou-se para a Universidade de Berlim como sucessor de Wilhelm von Branca. Foi nomeado diretor do Geologisch-Paläontologischen Institut und Museum em Berlim.

Espécies descritas em Portugal:
Arietites (Asteroceras) amblyptychus Pompeckj 1897
Ptycharietites ptychogenos (Pompeckj, 1897)
Ptycharietites (Pompeckioceras) cf. oncocephalus (Pompeckj, 1897)
"Oxynoticeras" choffati Pompeckj, 1906

Pompeckj, J. F. (1897). Neue Ammoniten aus dem unteren Lias von Portugal.Zeitschrift der Deutschen Geologischen Gesellschaft, 636-661.
Pompeckj, J. F. (1898): Notes sur quelques ammonites du Sinémurien du Portugal. Communicações de Direcção de Trabalhos Geológicos de Portugal, 3: 210–238.
Pompeckj, J.F., 1907. Notes sur les Oxynoticeras du Sinémurien supérieur du Portugal et remarques sur le genre Oxynoticeras. Communicações da Commissão do Serviço Geológico de Portugal, 6, pp.214-338.






sexta-feira, novembro 24, 2017

Tese de Mestrado de Francisco Costa conclui que Miragaia longicollum é bem diferente de Dacentrurus

No passado dia 22 decorreram as provas de Mestrado em Paleontologia FCT-UNL + UÉ  de Francisco Costa sobre o dinossauro estegossauro Miragaia longicollum do Jurássico Superior de Portugal, com a descrição e comparações de um novo espécime.
Parabéns aos Francisco que fez uma excelente tese reconhecida com 20 valores!

Francisco Costa
Entre as várias conclusões ficou demonstrado que Miragaia longicollum é um táxone válido e bem diferente de Dacentrurus armatus.

Provas de Mestrado de Francisco João da Costa Pinto
Dissertação: "The stegosaurian dinosaur Miragaia longicollum from the Late Jurassic of Portugal, with the description and comparisons of a new specimen"
Constituição do Júri:
•  Doutor Paulo Alexandre Rodrigues Roque Legoinha, •  Doutora Susannah Maidment, Senior Lecturer in Geology, University of Brighton
•  Orientador Doutor Octávio João Madeira Mateus, Professor
22 de Novembro de 2017

Susannah Maidment, O. Mateus e
Francisco Costa (Foto por F. Rotatori)